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INTERNACIONAL

Voto de milhares de despejados durante crise é cobiçado nos EUA

Colégio eleitoral de Wisconsin é considerado crucial para a reeleição de Trump

13 setembro 2020 - 09h35Por Martha Alves*

A escolha eleitoral de milhares de despejados em meio à pandemia de covid-19 pode ter um peso relevante na disputa apertada entre democratas e republicanos no estado de  Wisconsin. Na disputa contra o democrata Joe Biden, os 10 votos do Estado no colégio eleitoral são considerados cruciais para a reeleição de Donald Trump.

Em agosto, especialistas publicaram um artigo no site do Aspen Institute no qual afirmam que entre 30 e 40 milhões de americanos corriam risco de não ter onde morar. Mesmo com uma economia pujante, o preço alto do aluguel sempre foi um problema das grandes cidades americanas, com altos índices de despejo. Com a recessão e o desemprego, em consequência do vírus, a previsão é de que a situação piore.

Um levantamento feito em 17 cidades pelo Eviction Data Lab mostra que os despejos se mantiveram abaixo da média nos meses de pandemia graças às medidas de contenção. Em julho, no entanto a região de Milwaukee foi a única entre as analisadas a ter aumento de casos, depois que a proibição local expirou, em maio.

No mês seguinte, o Milwaukee Journal Sentinel, diário local, revisou os registros na Justiça e concluiu que havia 42% mais despejos nas duas primeiras semanas do mês, na comparação com o mesmo período de 2019.

"As intervenções de curto prazo estão ajudando, mas o problema pode ser maior do que o que estamos vendo. Mesmo a proibição dos despejos coloca muita responsabilidade sobre o locatário. Eles precisam saber que a ordem existe, entender como se qualificar e o locador precisa concordar. Sabemos que as pessoas acabam saindo antes de iniciar o processo formal de despejo", disse Peggy Bailey, vice-presidente do Centro sobre Orçamento e Prioridade Política, com sede em Washington.

O Eviction Data Lab registrou um pico nos despejos na semana anterior à aprovação da medida e agora aguarda novos dados para avaliar o impacto da medida do CDC. Os sinais iniciais, porém, são ruins. Uma pesquisa do governo americano feita em julho apontou que um terço dos locatários poderia não ter dinheiro para o aluguel em agosto.

"Estamos preocupados. A proibição de despejo é só um curativo, não resolve o problema. Com os salários baixos é difícil imaginar como as pessoas que perderam renda conseguirão pagar o aluguel a partir de janeiro e o acumulado do que ficarão devendo", diz Peggy.

A maioria das medidas de socorro econômico aos americanos, parte do pacote de US$ 2,2 trilhões anunciado no início da pandemia, expirou sem que o Congresso aprovasse um substituto. Em agosto, Trump atropelou os congressistas, após o colapso das negociações entre republicanos e democratas, e assinou decretos em apoio aos desempregados.

*Com informações da Agência Estado